Sentou-se no sofá, assistindo um documentário
qualquer com o volume tão baixo que ela só conseguia captar uns lapsos de sons,
sem conseguir escutar algo que prestasse. Abriu a bolsa e tirou um cigarro,
terminou este e tirou mais um. Fumou vários, um atrás do outro e foi quando ela
passou a pensar com quem poderia ter um caso. Um caso rápido, só pra levantar a
moral e não enfartar de virgem – sim, ela está há exatos dois anos sem trepar,
sente-se praticamente uma virgem –, mães solteiras devem se preocupar somente com filhos e problemas de
trabalho. Libido é coisa pra se manter guardada, estagnada, então foi o que ela
fez: trancou a sua sexualidade numa espécie de masmorra interna. Além de
profunda, coberta por alguma gosma borbulhante de asco protetor, subproduto da
gravidez, para repelir qualquer tentativa de resgate. Sua cabeça quase
desmanchando, diante de uma longa reportagem sobre a Bíblia. Até que ela
percebe que não está dando a menor importância ao que está apenas vendo, já que
nada escuta e sai de fininho, para fumar no banheiro.
Faz sempre isso, em todo tempinho que sobra, fumar na sala foi algo fora do comum, já que se importa muito com a possibilidade de seu filho perceber o mau hábito da mãe. Fuma na frente do espelho. Impavidamente assombrada com a imagem que tem. Pois é visível que esse hábito lhe abre os poros e que sua solidão é imensa, é uma condição inerente à sua nova opção de vida. Assim, a última vez que transou foi quando engravidou, mais de dois anos atrás, lembra refazendo as contas. E a ultima masturbação foi antes ainda, já que a ideia de parar tudo pra ficar pensando sacanagem e esfregando o clitóris lhe parece simplesmente ridícula. Sente-se, portanto, incapaz de sequer jantar com um homem – incapacidade que procura justificar de várias maneiras sensatas, nenhuma convincente. Pois ninguém entende tão bela moça, livre, aos 26 anos, adepta da castidade. No entanto, para ela, nada lhe parece mais atraente do que um cigarro, um espelho e uma coca zero. No máximo, quando o filho está dormindo, tira a roupa para poder ver seu corpo.
Faz sempre isso, em todo tempinho que sobra, fumar na sala foi algo fora do comum, já que se importa muito com a possibilidade de seu filho perceber o mau hábito da mãe. Fuma na frente do espelho. Impavidamente assombrada com a imagem que tem. Pois é visível que esse hábito lhe abre os poros e que sua solidão é imensa, é uma condição inerente à sua nova opção de vida. Assim, a última vez que transou foi quando engravidou, mais de dois anos atrás, lembra refazendo as contas. E a ultima masturbação foi antes ainda, já que a ideia de parar tudo pra ficar pensando sacanagem e esfregando o clitóris lhe parece simplesmente ridícula. Sente-se, portanto, incapaz de sequer jantar com um homem – incapacidade que procura justificar de várias maneiras sensatas, nenhuma convincente. Pois ninguém entende tão bela moça, livre, aos 26 anos, adepta da castidade. No entanto, para ela, nada lhe parece mais atraente do que um cigarro, um espelho e uma coca zero. No máximo, quando o filho está dormindo, tira a roupa para poder ver seu corpo.
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Reaja, corpo, reaja!
Não quer um envolvimento definitivo. Absolutamente
nada que possa descambar pra uma relação duradoura. Quer dar cinco vezes
somente. Com sorte, na segunda vai ser bom e na quinta ela vai explodir
saciada, tudo resultando numa pele ótima. Num corpo um pouco menos distante da
morte. Ok, não quer pensar nisso, sempre evitou o tato e a cerimônia
precipitadamente indagativa, ainda em luta contra a timidez. Quando era mais
nova, resolveu esconder essa sua fragilidade atrás de uma postura levemente
masculina. Não deu certo, claro. Tenta às vezes outra estratégia: fazer-se de
maluca. É mais bem sucedida nesse disfarce, tanto que teve um filho.
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