Virou-a de lado, de frente para o espelho. Dessa vez, gozando rápido e fundo, lá dentro dela. Depois ela se masturbou.
Como narradora, acho extremamente desagradável falar de sexo. A bem da verdade, acho desagradável esse assunto em si, em qualquer idade, e se me atenho a ele é porque, a essa altura do campeonato, censurar detalhes como esses, detalhes que traduzem a importância de qualquer história, seria uma imensa tolice. Ser-me-ia mais que desagradável, me sentiria como venho me sentindo a vida inteira: maculando o meu amor como uma mentirosa comum. Principalmente agora, quando isso que escrevo já me rendeu tantas páginas, colocando meu fôlego confessional por um triz. Levando-me necessariamente ao universo dos piores desconfortos, já que infelizmente, meu deus, infelizmente, não me resta alternativa além de falar de outros, e muitos, para, mais uma vez, conseguir estancar minha própria angústia, que está até menor do que era de se esperar, graças aos modernos medicamentos com os quais ando me tratando. Dessa química que prolifera em mim e, pouco a pouco, degenera meu raciocínio. Chamada velhice. Sim, tornei-me uma debiloide muito cedo, com menos de 20 anos. Mas só mais recentemente atingi o ápice da debiloidice. Porque, veja, uma mulher que precisa de comprimidos para controlar seus ânimos é tão somente uma debilitada mental. Senão, vejamos: o tempo passando, a vida construindo sua teia de monotonia ao meu redor, e eu continuamente querendo estar num lugar diferente do que eu estava. Hoje mesmo, parece claro, que não seria aqui, onde estou, onde gostaria de estar. Pura debiloidice, certo? Por que não estou lá então? Falta-me o quê? Faltam-me remédios, disseram-me, por isso a ciência tem me servido diariamente um belo coquetel de dispersão. Coloquem-me numa cadeira de praia, coberta por um guarda-sol, que lá continuarei. Estou sob controle. Não vou chorar por não estar na neve.
Muito Louco - tive que curtir umzinho enquanto lia e usava a mão esquerda para rolar a pagina para baixo, (como um jovem tolo adolescente malevolente)
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