sábado, 3 de dezembro de 2022
Ímãs Opostos
Ontem eu estava observando o Dimitri dormir e me bateu uma vontade muito grande de saber como os espermatozoides chegam até o óvulo. Bem, concluí que basta olhar para uma janela num dia de chuva. Veja qual gota chega primeiro ao batente. Não existe acaso numa fecundação. Um milhão de fatores equacionam o resultado. Um milhão de obstáculos fazem a beleza uma raridade. Um milhão de motivos clamam por uma germinação. Então a gota tem que ser a simplesmente perfeita. Eu não preciso de você. Nem você de mim, essa é a verdade. Isso parece o fim do mundo porque geralmente não há nada a ser feito se não for, a princípio, necessário. Por isso essa ansiedade da ausência. Essa abstração. Estamos com medo de perder o que já foi perdido. E a perda é aliviante, mas ainda nem sabemos disso. Estamos livres. Livres para nos comprometer, se quisermos, mas sem nenhuma obrigação, se essa não for a nossa escolha. Deixa eu te dizer uma coisa. A verdade é que, enquanto você estiver assim, nessa interminável agonia, esperando saber de coisas que você nunca vai saber, vai deixar passar várias possibilidades interessantes ao seu redor. Claro, ninguém se compara a quem você aguarda, mas quem você aguarda não está disponível no momento. Poderá, inclusive, nunca estar, apesar de tudo o que já foi dito. Pessoas que somem não são confiáveis. Você acha que entendeu, mas não, eu te conheço. Eu não sei o que faço afetivamente; porque, afetivamente, eu sou uma ameba; e vou te fazer sofrer, por isso eu acho que te amar é muito confuso, porque agora nós trazemos em cada mente, ímãs opostos.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário