sábado, 3 de dezembro de 2022

Thank God

Te encontrei hoje e, olha, graças a deus por eu não ser dessas que imploram afeto. Até porque, hoje eu estava naqueles dias em que quero fumar um Vogue e mandar uns três tomarem no cu e você era um desses três. Porra, dei tudo pra você. Fui possessiva, ciumenta, instável, irrascível, apaixonada. Se a ideia de que o outro teve o que você também teve o incomoda, esqueça isso - se é preciso essa miséria de sentimento, então arranje outra - porque eu sempre acho que jamais vivi nada que se assemelhe remotamente à história que vivo. Você foi diferente do anterior, que foi diferente do anterior, até que eu perca a conta. E é possível que eu me perca porque não enumero em agendas e dou notas, guardo tudo na cabeça e, bem, eu não sou muito boa dela, principalmente se eu falar exclusivamente de sexo, você sabe, não me conheceu numa igreja. Ninguém na nossa situação pode ser ingênuo. Não dá pra manter-se puro a vida inteira porque a vida se encarrega de ensinar as suas durezas. Talvez só escapem dessa maldade os mongoloides e os dementes em geral. E estes não merecem, por incrível que pareça, pena alguma. O resto, o mundo inteiro, estará sempre sujeito a sofrer decepções. Este é o crescimento. Às duras penas o homem cresce. Uns com mais, outros com menos sorte. Mas parece claro que os que mais sofrem tornam-se melhores que os outros. Não no sentido de caráter ou até o sentido de caráter, mas principalmente no que se refere às suas reservas. Todo mundo carrega uma espécie de mala de equipamentos - sua bagagem de vida. O mais sofrido paga pelo excesso, mas tem um bônus de reservas à mão e - se não for burro ou tonto - vai saber sacar dali os instrumentos que o ajudarão a sobreviver, a vencer, ser o melhor. Deve-se não só sobreviver, mas sobreviver bem. Há o que passou pelo diabo e esqueceu sua mala em alguma estação de trem. Este é o idiota. Mas depois falo mais sobre isso. O que eu preciso te dizer é que estou em paz. Me dei conta de que não sou eu quem saí perdendo nessa história. Ponto pra mim e vamos rumo ao zero absoluto. Me esvaziar pra encher de novo. Sim, eu não acredito que o meu amor se transformou, ele esgotou e eu não continuaria levando assim por vários motivos e saiba ainda que muitos desses motivos não são nada nobres. Ainda que eu tivesse a certeza de tudo e confirmasse sempre, não daria certo, pois você sempre foi desconfiado e deve achar que eu uso o meu dom com as palavras e os meus problemas emocionais pra te comover. Por isso encerro o assunto.

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